Agronegócio Maranhense Cresce Mesmo em Meio A Pandemia Do Covid-19

A agro continua se desenvolvendo muito bem e a safra que está terminando mostra que vamos mais uma vez quebrar recordes. É o que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nos diz ao publicar dia 09 de abril, o relatório do 7º levantamento de safra 2019/2020 mesmo em época sombria, onde o Covid-19 assombra o mundo.

 No cenário nacional o destaque ficou por conta da soja e do milho que impulsionam o bom resultado, sendo responsável pela maior fatia das 251,8 milhões de toneladas, sendo 122,1 milhões de soja e 101,9 milhões de toneladas de milho. A soja deve apresentar um crescimento de área de 2,7% em relação a área da safra anterior, já o milho deve apresentar uma area 4,5% maior quando comparada a safra de 2018/2019.

E quanto ao Maranhão, quais as perspectivas apresentadas pela Conab?

Com relação a produção total o Estado deve apresentar um crescimento 8,5% maior que a safra anterior, segundo o relatório a produção deve passar das 4,9 milhões de toneladas para aproximadamente 5,4 milhões de toneladas produzidas, seguindo o panorama nacional também impulsionado pela soja e milho.

A soja no Estado não deve apresentar a mesma taxa de crescimento da área plantada  nacional, na verdade o documento aponta para uma redução de 1,6% na área plantada na unidade federativa, muito por conta das dificuldades enfrentadas pela região sul do Estado no início da safra devido à estiagem, porém a produtividade esperada pela companhia é de 3.181 kg/ha, ou aproximadamente 53 sacas/ha, um aumento de 8,2% quando comparada a safra anterior, projetando uma produção total de 3,1 milhões de toneladas. O desafio maior agora está em fazer a colheita com umidade elevada devido as chuvas.

Por outro lado, teremos um incremento na área plantada do milho 1ª safra, que acabou trocando de posição com a soja no início da safra em decorrência da falta de condições para implantar a lavoura principal. O milho de forma geral deve apresentar um crescimento de 10,2%, tendo a lavoura de 1ª safra como maior influenciadora nesse índice, com 23% de crescimento. Se espera também uma redução de 5% na área plantada do milho safrinha, o que no geral deve nos levar a uma produção 11,8% maior esta safra, algo em torno de 2 milhões de toneladas, também puxada por um esperado aumento de produtividade.

O arroz, terceira cultura em área plantada no Estado, também demostra uma recuperação quando olhamos para última safra, com um aumento de 6,4% na sua área total e 16,5% a mais na produção total, podendo atingir a marca de 151,8 mil toneladas colhidos nessa safra, mesmo com uma redução expressiva na área irrigada, aponta o relatório.

Na cultura do feijão, mesmo com uma queda na produtividade de 10,8% devido às fortes chuvas principalmente no meio do ciclo da 1ª safra é esperado um aumento da produção de 2,8%, parte devido a boa expectativa da 2ª safra, parte devido ao aumento de quase 15% na área plantada, mantendo um patamar muito próximo das 30 mil toneladas.

O Algodão, seguindo o ritmo do milho safrinha, também teve uma queda na área plantada, nesse caso deve acumular baixa de 4,3% na area de plantio, que compensada com um ganho esperado de produtividade, atingindo a casa dos 3.922 kg/ha, pode facilmente atingir uma produção superior ao do ano passado que foi de 102,7 mil toneladas, dando a esse número um leve acréscimo de 1,2%.

O único que deve aparecer no final da safra com queda na produção é o sorgo, que não teve incremento de área e ainda deve sofrer com uma pequena redução da produtividade de 2,5%, o que deve levar a uma produção 2,4% menor, ficando com 24,5 mil toneladas colhidas na safra 2019/2020.

Não é de hoje que o agronegócio do Maranhão e do Brasil mostra sua importância e sua resiliência frente as dificuldades, horas ao mercado, horas ao clima, e mesmo quando surpreendido com uma crise mundial consegue manter o equilíbrio e continuar em frente.

Reconhecendo a importância do setor, o governo do Estado manteve operacional e suporte necessário para a continuidade da colheita da safra, considerou em decreto como essencial o funcionamento de casas agropecuárias, a circulação dos caminhões e a funcionamento dos locais  apoio aos caminhoneiros ao longo das vias, garantiu também a inspeção de alimentos e produtos de origem vegetal, entre outros que afetam não somente a agricultura, mas a agropecuária como um todo.

Texto : Sérgio Delmiro-Engenheiro Agrônomo-Subsecretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão

Fonte : Conab